Mais uma 'estratégia' dessas igrejas homofóbicas


Profissão: homofóbico


É sempre assim. Basta mais um caso de violência com motivação homofóbica, ou qualquer notícia sobre a comunidade gay em portais de notícias, e vem uma enxurrada de comentários depreciativos. “A ideia é fazer parecer que toda a população brasileira odeia os homossexuais”, diz o paulistano Carlos*. Desempregado há três anos, há poucos meses recebeu uma oferta tentadora na igreja evangélica que frequenta em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo.

Ele é apenas mais um entre alguns brasileiros que recebem para “opinar” em caixas de comentários de grandes sites e blogs, também em redes sociais e fóruns. A prática, conhecida como seeding, existe há um bom tempo na internet. Mas o caso dele vai além de ideologias políticas – como aconteceu na eleição de 2010 – ou para elogiar ou negativar um produto. A briga dele é religiosa. “Deus condena os gays, não vejo o que faço como errado, mas como uma missão para moralizar o país”, justifica-se.

Carlos não conversou diretamente com o Vestiário, quando o entrevistei, disse ser alguém interessado em contratar o seu “trabalho”. Afinal, ele não iria falar abertamente com um veículo sobre algo antiético, e que deixa às mostras a guerra declarada de algumas seitas cristãs aos gays, por mais que muitas delas tentem assumir uma imagem imaculada e não batalhar diretamente com nenhum grupo.

Basicamente, o homem – casado e pai de duas meninas – fica antenado nos principais portais e em alguns blogs de médio porte para destilar trechos bíblicos entre palavras de ódio e depreciativas aos homossexuais. O valor recebido por mês não foi revelado, tão pouco qual grupo evangélico ele representa. Mas o preço que me pediu para algo semelhante foi de 2,5 mil reais por mês. Ele também garante conhecer “mais cinco irmãos do mesmo templo que fazem a mesma coisa”, e até ensaiou me indicar alguns caso eu precisasse.

O caso de Carlos não é uma exceção, e infelizmente, parece estar se tornando uma regra – seja também para criticar adversários políticos ou empresas concorrentes. A internet, que prometia ser um ambiente livre e neutro, trouxe às caixas de comentários de grandes sites e blogs o seu pior lado. Por isso, quando ver algum comentário contra os direitos dos homossexuais, fique atento. Pode não ser apenas uma opinião, mas um modelo de negócios.

André Pacheco é jornalista por formação e webdesigner

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