Prefeitura apresenta pesquisa sobre público da 16ª Parada do Orgulho LGBT do Rio de Janeiro




Prefeitura apresenta pesquisa sobre público da 16ª Parada do Orgulho LGBT do Rio de Janeiro

Na ocasião, estabelecimentos comerciais capacitados receberam o selo Rio sem Preconceito

24/11/2011 » Autor: Texto: Flávia David / Fotos: AF Rodrigues



http://www.rio.rj.gov.br/web/guest/exibeconteudo?article-id=2327596


A Prefeitura do Rio, por intermédio da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (CEDS), apresentou nesta quinta-feira, dia 24, uma pesquisa de percepção da população realizada pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) durante a 16ª Parada do Orgulho LGBT do Rio de Janeiro, em 9 de outubro deste ano. Durante o evento, realizado no Palácio da Cidade, em Botafogo, o coordenador Carlos Tufvesson analisou os resultados da pesquisa e aproveitou a ocasião para contemplar com o selo “Rio sem Preconceito” os estabelecimentos comerciais capacitados com noções de obediência aos direitos civis e cidadania.

Para a realização do estudo, o Núcleo de Pesquisa da ESPM - sob o comando do professor e pesquisador Eugênio Giglio - disponibilizou 29 profissionais para aquele evento, onde foram entrevistadas 569 pessoas, entre cariocas e turistas.



Durante sua apresentação, Carlos Tufvesson afirmou que os resultados da pesquisa servirão de instrumento para a elaboração de políticas públicas de combate ao preconceito.

- O preconceito margeia a sociedade. Por isso, a coordenadoria vem trabalhando para que os direitos de todos os cidadãos, independente de sua orientação sexual, sejam respeitados em nossa cidade. A partir de agora, os números levantados na pesquisa vão fundamentar as nossas ações, transformando a percepção em políticas públicas - disse o coordenador especial da Diversidade Sexual, completando que a falta de informação faz com que as pessoas infrinjam as leis e que as vítimas não busquem seus direitos:

- Pude perceber com a pesquisa que a grande maioria dos entrevistados não denuncia os episódios de violência contra os homossexuais. Essa cultura tem que mudar, uma vez que o poder público só pode agir quando provocado. Além disso, vamos trabalhar nas escolas, onde os índices de bullying de preconceito são altos (51% das pessoas afirmaram ter sofrido bullying na escola). Vamos nos empenhar nisso. É uma preocupação da Prefeitura do Rio que o cidadão carioca saiba dos seus direitos e deveres para exercê-los - afirmou Tufvesson, que ressaltou todo o trabalho realizado:

- Estamos trabalhando para que 100% da população carioca e dos que nos visitam possam contar com nossos serviços e ações contra o preconceito”, frisou Tufvesson.

      

Ao entregar o selo “Rio sem Preconceito” aos representantes dos estabelecimentos contemplados (restaurantes Entretapas, Via China, Miam Miam, Oui Oui, Pizza Park, Botequim, Cake&Co e Gula Gula), Carlos Tufvesson destacou a importância desta iniciativa:

- Trata-se de uma capacitação de estabelecimentos comerciais a respeito das leis dos direitos civis e humanos em nível municipal, estadual e federal. Fazemos com que as pessoas conheçam as leis para não infringi-las, gerando um melhor atendimento para o cidadão do Rio de Janeiro e aqueles que nos visitam. Além disso, vale ressaltar que leis valem para todos os cidadãos, independente de orientação sexual. Por isso, são abordadas as leis Maria da Penha e Afonso Arinos, entre outras. No momento que se sabe da existência de uma lei, a pessoa se sente protegida e não mais à margem da sociedade. Estamos comprometidos com isso e contamos com o apoio do prefeito Eduardo Paes - concluiu o coordenador.

O superintendente do SindRio (Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes), Darcílio Junqueira, também falou sobre os benefícios da capacitação:


A iniciativa é fantástica e conta com todo o nosso apoio. O SindRio formou uma grande turma agora e está pronto para capacitar outras. A cidade recebe um grande número de turistas e precisa estar preparada para recebê-los em seus hotéis, bares e restaurantes. Precisamos receber os turistas cada vez melhor, e isso independe de opção sexual - afirmou Darcílio.

A pesquisa:

Pelo menos 49% dos entrevistados estiveram na 16ª Parada do Orgulho LGBT por motivação humanitária, independentemente de sua opção sexual.

A orientação sexual do público do evento foi, em sua maioria, homossexual (43%), seguido por heterossexuais (34%) e bissexuais (21%). Deste total, há predominância do ensino médio (47%) e do ensino superior (39%).

Dados apurados pela ESPM mostraram que o preconceito é algo generalizado, mas o motivado por orientação sexual é ainda maior que os demais. Uma parcela de 73% alegou que já sofreu algum tipo de preconceito, seja racial, religioso ou social. A ordem decrescente dos locais onde se mais sofre discriminação é: escola – trabalho – vizinhança – família.

Um dado preocupante da pesquisa é que 66% dos cidadãos que sofreram algum tipo de violência por conta de sua orientação sexual não fez qualquer tipo de denúncia. O desconhecimento da existência das ONGs por 74% dos presentes no evento também é um fato a ser ressaltado.


Em relação à Lei 2475/1996, desconhecida da população até a criação da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual, é sabida por 46% dos bissexuais e 38% dos homossexuais.

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