Pai entrega filho de 15 anos à polícia por ser gay



Pai rejeita filho por ser gay e entrega-o na polícia de Valadares

AUTOR: MIGUEL MOREIRA | LEITORES: 2835
SEXTA-FEIRA, 09 SETEMBRO 2011 13:32


Pai descobre que o filho é homossexual e entrega-o na esquadra da PSP de Valadares. A polícia acolheu o menor, de 15 anos, que está agora à espera de um albergue. Autoridades já acionaram os serviços de emergência social.

Um pai revoltado por ter descoberto que o filho era gay decidiu entregá-lo nas autoridades e abandonar o menor, na esquadra da Polícia de Segurança Pública de Valadares, em Vila Nova de Gaia.

Esta história de homofobia, contado pelo Jornal de Notícias, tem o lado insólito, mas acarreta um problema social grave. O menor entrou na esquadra, de madrugada, totalmente destroçado, e ficou sem abrigo, apenas devido à sua orientação sexual.

O progenitor (com formação superior) não aceita ficar em casa com o menor de idade, está em rejeição, e transportou para as autoridades a responsabilidade de acolher o filho. Dadas as circunstâncias, a PSP de Valadares procedeu de acordo com as normas e chamou os serviços de emergência social.

Perseguição, choque e desorientação

O caso ocorreu na passada quinta-feira. Uma fonte policial revelou ao JN que, depois de uma saída noturna, o rapaz de 15 anos foi perseguido pelo pai, que o viria a encontrar, por volta da 1h30 da madrugada, na discoteca Pride, localizada na cidade do Porto e freqüentada, sobretudo, por homossexuais.

Perante o choque de descobrir que o filho era gay, começou por chamar a polícia, acusando os proprietários do espaço de terem permitido a entrada a um menor de idade. A Polícia de Segurança Pública registou a ocorrência e tomou as medidas necessárias, já que a idade mínima para frequentar a discoteca é 18 anos.

Os dois regressam então a casa, localizada na freguesia gaiense, mas por pouco tempo. Já ás 4h30, o pai leva o filho à esquadra de Valadares. Segundo o JN, o menor apareceu na esquadra da PSP “lavado em lágrimas”. Sabia que iria ser entregue à polícia, sem cometer qualquer crime.

Fonte: PT Jornal


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COMENTÁRIO DESTE BLOGUEIRO


O que falta acontecer para que os governantes e legisladores desse país compreendam o malfeito de sua omissão diante da homofobia, esta que atinge o indivíduo LGBT em todos os lugares, inclusive dentro de casa? O que aconteceu nesse caso em Portugal é a mesma realidade vivida por muitos jovens homossexuais no Brasil e verificada estatisticamente pela mais recente e mais completa pesquisa feita até agora no país (Fundação Perseu Abramo - FPA).


Recomendo muito a leitura do livro lançado pela FPA, sob o título "Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil". Não consigo engolir o grito que insiste em subir pela minha garganta: 


Dilma, cadê você?
Maria do Rosário, cadê você?
Senadores, onde estão vocês?
Deputados, onde estão?


Até quando vocês, políticos, vão continuar fazendo de conta que o Brasil é um território livre de homofobia, quando todos os estudos sobre o assunto apontam na direção oposta? E a experiência diária só confirma essa terrível realidade?


Até quando a estúpida bancada evangélica homofóbica (que não seria levada a sério em nenhum país que preze os direitos humanos no mundo) vai continuar emperrando a evolução dos direitos civis nesse país?


Até quando as pessoas vão continuar achando que combater a homofobia é uma questão pessoal de cada cidadão LGBT e continuar ignorando que isso tem que ser uma agenda tutelada pelo governo em todos os níveis (federal, estadual e municipal) para o bem-estar dos cidadãos e para a preservação do próprio Estado Democrático de Direito?


Chega de baixaria, omissão, desprezo às reais e legítimas necessidades da população LGBT. Quem tem filho sabe que um garoto de 15 anos é - em termos de autonomia - uma criança. Ainda que ele possa parecer um adulto fisicamente, não subsistirá tranquilamente sem a tutela da família. Agora, um pai idiota desses ninguém merece. O Estado tem que cuidar para que esse menino não seja mais um nas estatísticas de abuso, de assassinato ou até de suicídio.


Até agora não ouvi nenhum desses demagogos que tanto falam do abuso de crianças e adolescentes se manifestarem a favor desse garoto vilipendiado pelo próprio pai. Cambada de sanguessugas do dinheiro público  e produtores de mais preconceito. Como podem representar alguma coisa que não a si mesmos? 


Basta de homofobia, porra!


Comentários

  1. Por isso que digo que criminalizar a homofobia é infinitamente mais importante do que discutir sobre kits ou casamentos gays. De nada adianta tê-los, sem que se possa ter liberdade para assumí-los.

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  2. Pelo vocabulário e pelos nomes das cidades, esse fato ocorreu em Portugal, não foi? Vila Nova de Gaia é uma cidade vizinha do Porto, e "delegacia" lá se chama "esquadra".

    Bom domingo.

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  3. Sim, Kummitus. Deve ser, sim, até pelo nome que eles dão à polícia de lá, mas o que me levou a desabafar aqui sobre homofobia no Brasil é que essa é a realidade vivida por muitos jovens homossexuais no Brasil e verificada estatisticamente pela mais recente e mais completa pesquisa feita até agora no país (Fundação Perseu Abramo - FPA).

    Recomendo muito a leitura do livro lançado pela FPA, sob o título "Diversidade Sexual e Homofobia no Brasi".

    Vou fazer essa observação lá no meu comentário para deixar claro. ;)

    Obrigado pelo comentário.
    Sergio Viula

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  4. Marcelo, você tem razão. Sem combater a homofobia, todos os outros direitos são insuficientes. Porém, todas essas coisas devem ser vistas em conjunto. Lutar contra a homofobia não impede que lutemos pelos direitos civis como casamento, por exemplo.

    Já passa da hora de que esses direitos básicos sejam reconhecidos. Recuar nesse campo não ajuda. É exatamente isso que os homofóbicos querem, ou seja, que voltemos para o armário e não façamos qualquer barulho. Eles querem nossa invisibilidade para que possam nos destruir sem que ninguém perceba. A violência deles passa a ser nosso maior argumento.

    Obrigado pelo comentário, menino. :)

    Abraço,
    Sergio Viula

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