Mais uma vítima de homofobia que nem era gay


Vítima de homofobia - Mulher afirma que foi confundida com um travesti



foto: João Áquila / Emsergipe.com
Comissária de bordo revela que jovens a espancaram e a humilharam em Loja de Conveniência na avenida Francisco Porto

Fonte: Infonet - 19/9/2011 11:13:20
Por: Caio Guimarães e Cássia Santana


Uma mulher foi agredida ao ser confundida com um travesti. Segundo a vítima da agressão, a comissária de vôo Geilsa da Mota, 29 anos, o ataque foi cometido por dois homens que a perseguiram por várias ruas e, segundo a vítima, chegaram a efetivar disparos contra o carro em que ela estava. A suposta arma utilizada pela dupla, não foi localizada pela Polícia. Os dois suspeitos, identificados como Ricardo Alexsandro Reis, um estudante de 25 anos, e Marcelo Rosa Santos, mecânico de 29 anos, estão detidos na Delegacia Plantonista, à disposição do delegado de plantão, que já iniciou a oitiva dos envolvidos na ocorrência.

De acordo com Geilsa da Mota, o fato aconteceu na madrugada desta segunda-feira, 19, após uma festa, numa casa de show, fica localizada no bairro Coroa do Meio. Geilsa conta que percebeu que estava sendo perseguida e parou num Posto, de Combustível, onde há uma loja de conveniência na avenida Francisco Porto, local onde as agressões verbais foram iniciadas. “Eles alegavam que eu era um travesti, que estava devendo dinheiro a eles. Fiquei amedrontada. Eles diziam que eram parentes de pessoas poderosas e que ninguém ia prendê-los”, conta a comissária de bordo.

Apavorada, a vítima abandonou o posto na tentativa de conseguir se livrar dos agressores, que a seguiram até outro posto de gasolina, local em que as agressões físicas foram consumadas. “Eu levei vários socos, estou com as mãos e a cabeça machucadas. Um dos dois entrou no carro e me deu muitos socos na cabeça. Eu só conseguia gritar e o que mais me revoltou é que os funcionários e seguranças do posto não faziam nada”, comenta indignada a vítima.

Para se livrar das agressões, Geilsa teve que fingir estar desmaiada. “Eu não sabia como reagir diante de toda aquela agressão. Então, fingi que estava desacordada. Um dos dois pensou que eu estava morta e mudou de atitude, passou a fazer o papel de apaziguador, mas na verdade ele queria se livrar do meu corpo. Foi nessa hora que a polícia chegou, eu não sei quem chamou”, fala Geilsa da Mota.
A todo momento, segundo Gilsa da Mota, os jovens diziam que nada aconteceria a eles devido ao grau de parentesco deles com pessoas “poderosas” e “importantes” no Estado e ainda teriam revelado que iriam dar dinheiro aos policiais para livrá-los da prisão. Fato que não chegou a se concretizar, segundo informações do cabo Ademir Costa. “A gente foi informado disso, mas eles não tentaram o suborno”, diz o cabo.

"Babaquinhas" em Blog

Os policiais militares foram acionados a partir de telefonemas de pessoas que estavam na Loja de Conveniência instalada no Posto de Combustível, que presenciaram as agressões. Os policiais deram voz de prisão aos acusados e, sem reagir, ambos foram encaminhados à Delegacia Plantonista. Até o momento em que a equipe de reportagem esteve na Delegacia, os dois não tinham, ainda, prestado depoimento. Ambos demonstraram irritação e a todo momento diziam que o interesse era sair da Delegacia para ir embora.

O delegado de plantão começou a investigação ouvindo a comissária de bordo. Que permanece na Delegacia Plantonista prestando depoimento. O veículo que estava sendo ocupado pelos dois rapazes não foi removido do estacionamento do Posto de Combustível. ”Os dois estavam visivelmente alcoolizados e não tinham condições de dirigir”, informou o cabo Ademir Costa. O veículo passou por uma breve vistoria e a suposta arma não foi localizada. Mas a perícia da Secretaria de Estado da Segurança Pública, segundo o cabo Ademir, fará  uma outra vistoria minuciosa.

A comissária de vôo se diz indignada com a situação. “Isso é algo que não pode se repetir. Foi comigo, mas poderia ter sido com qualquer pessoa, irmãs, esposas, qualquer pessoa poderia ter sido vítima daquele absurdo. Eu estou inconformada e vou até as últimas consequências para conseguir justiça”, desabafou.

Ela garante que o mundo inteiro tomará conhecimento da ocorrência, pela internet. Ela pretende construir um Blog específico para denunciar “os babaquinhas de Aracaju”. “O mundo inteiro vai conhecer o que os mauricinhos, babaquinhas, de Aracaju andam aprontando. Eles dizem que ficarão impunes por ser parentes de poderosos, mas eles podem ser filhos de Dilma Roussef e, ainda assim, pagarão por isso”, vocifera Geilsa da Mota, completando que vai deixar de morar em Aracaju depois que o caso for resolvido.

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