Crime homofóbico na Rua Oscar Freire, São Paulo

25/08/2011 - 17h27

Suspeito dopou vítimas antes de matá-las na rua Oscar Freire


O analista de sistemas Eugênio Bozola


O modelo Murilo Rezende da Silva


DE SÃO PAULO


O suspeito de assassinar duas pessoas em um apartamento da rua Oscar Freire, área nobre da zona oeste de São Paulo, dopou as vítimas antes de cometer o crime.

Segundo a polícia, Lucas Cintra Zanetti Rosseti, 21, misturou medicamentos tarja preta (de uso controlado) nas bebidas do analista de sistemas Eugênio Bozola, 52, e do modelo Murilo Rezende da Silva.

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"O suspeito era mais fraco que os dois. Para matá-los a facadas tinha que fazer com que eles, de alguma forma, ficassem mais vulneráveis", disse o delegado Mauro Dias, do DHPP (departamento de homicídios).

Rosseti, segundo a polícia, matou Bozola e Rezende a facadas. Antes de fugir do prédio com o carro do analista de sistemas, deixou suas roupas, seu tênis e as facas usados no crime espalhadas pela casa.

Nas paredes do apartamento, deixou inscrições como CV, ZO e viado. Todas feitas com o sangue das vítimas.

"Ele tentou dissimular o crime. Queria passar a falsa impressão de que o crime teria sido cometido pelo Comando Vermelho ou por alguém da zona oeste de São Paulo", afirmou Dias.

Natural de Igarapava (446 km de São Paulo) Rossetti estava hospedado na casa de Bozola desde o dia 14 de agosto.

"Eles se conheciam de Igarapava. O Eugênio [Bozola] costumava trazer amigos de lá para passar uma temporada em São Paulo", contou o delegado.

Para o policial, o modelo Rezende estava no lugar errado, na hora errada. Ele morava de favor na casa de Bozola há pelo menos três meses.

Divulgação

Retrato falado de Lucas Cintra Zannetti Rossetti, suspeito de matar duas pessoas na rua Oscar Freire
As duas vítimas morreram a facadas. O corpo de Bozola estava na cozinha do apartamento e o de Rezende em um quarto, com a cabeça parcialmente coberta com um saco plástico. A motivação do crime, conforme os investigadores, foi um desentendimento entre esse rapaz e o dono do apartamento.

A namorada de Rezende, a promoter Jaqueline Sampaio, 40, disse que por volta das 21h de segunda-feira, recebeu uma mensagem de texto do modelo em seu celular no qual ele dizia que não se sentia bem, que estava grogue.

"Tentei falar com ele mais tarde, umas 22h15, mas não consegui. Liguei na casa do Eugênio e a pessoa que atendeu disse que os dois já estavam dormindo. Acho que ele pode ter sido vítima do golpe boa noite cinderela", afirmou Sampaio.

Segundo ela, o modelo deveria se mudar para o Rio de Janeiro, onde começou sua carreira, nos próximos meses. "Estávamos planejando morar juntos", contou.

Natural de Minas Gerais, Rezende foi eleito Mister Piauí neste ano e ficou em sexto lugar no concurso Mister Brasil. O analista de sistemas é irmão do diretor-presidente da Prodesp (Companhia de Processamento de Dados de São Paulo), Célio Bozola.

Ele morava sozinho no apartamento havia 20 anos. Há cerca de três meses, ofereceu sua casa para o amigo 
Rezende viver enquanto fazia algumas campanhas publicitárias em São Paulo.

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