Proibida pela Cúria de Palermo vigília pelas vítimas da homofobia

Vietata dalla Curia di Palermo la veglia per le vittime dell'omofobia

Lembra do comentário que eu fiz no post anterior a esse? Só para garantir, eu o colei logo a seguir. Pois, então. Quando escrevi esse comentário, ainda não tinha tomado conhecimento do que estava acontecendo em Palermo. Agora, veja se o que eu disse nesse comentário não se aplica, de fato, à igreja e sua postura recalcada...

Depois do comentário, leia a notícia do jornal italiano La Republicca logo abaixo: 

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COMENTÁRIO DESTE BLOGUEIRO


Estou felicíssimo com a vitória do bom senso, do laicismo, do iluminismo no STF. Uma vitória dos direitos humanos, de fato. 


A CNBB e outros filhos da "deforma" (leia-se Reforma), especialmente alguns "pentecostados" (leia-se pentecostais), ficam dizendo que essa decisão destrói ou ameaça destruir a família. Seria para rir se esse tipo de concepção já não tivesse feito tanta gente chorar.


Com a vitória no STF já garantida, penso que a insistência dos idiotas em afirmar a imbecilidade é apenas mais corda que eles guardam para se enforcarem num futuro breve. O que quero dizer é o seguinte: o tempo demonstrará que as famílias existentes não perderão nada e que as novas famílias surgidas a partir da união civil de pessoas do mesmo sexo serão boas ou ruins como quaisquer outras famílias surgidas de casais heterossexuais. Esse vaticínio mórbido da CNBB e similares será humilhado com o não cumprimento de tais previsões. De novo, a igreja terá do que se envergonhar e se desculpar. Ela que já fez o mesmo com negros, judeus, mulheres, etc. será mais uma vez humilhada por sua própria tendência em afirmar a morte e a exclusão.


Se a(s) igreja(s) fosse(m) inteligente(s) agora à semelhança do que foi no tempo de Constantino e de alguns bispos do século 4, ela não se oporia à entrada de novos membros, inclusive com todos os seus hábitos, tradições, afetividades. Ela os abraçaria e experimentaria um crescimento que deixaria a anos-luz aquele que aconteceu no quarto século. Eu não seria um deles, obviamente. Não sinto necessidade alguma de deuses, ritos, sacerdotes, e toda aquela parafernália religiosa. Mas que milhões de gays que anseiam por esse tipo de inclusão seriam os mais ardorosos membros dessas comunidades, disso vocês podem (quase) ter certeza. ;) Tomara que eu esteja errado... hehehe


De uma certa maneira, enquanto a igreja rejeita os gays, ela dá um tiro no próprio pé - o que não me incomoda nem um pouco do ponto de vista do que se convencionou chamar "espiritualidade", mas me incomoda por manter o status de exclusão, de discriminação contra as pessoas homoafetivas. 


Igrejas e sacerdotes podem continuar acreditando como desejarem, mas continuarão perdendo mais do que ganhando se essa maneira de pensar continuar afirmando a morte. Afinal, o que ganham essas instituições com esse projeto de exclusão? Quanto estão perdendo por não incluírem as pessoas como elas são e celebrarem a diversidade! Não é de tolerância que eu estou falando; é de inclusão indiscriminada de todos e todas!


Agora, pessoalmente, espero que no dia em que as igrejas forem plenamente abertas a todos, não importando sua orientação sexual e identidade de gênero, os próprios homoafetivos não sintam a mínima necessidade dela. E, por isso mesmo, não percam seu tempo, dinheiro e energia contribuindo para o enriquecimento dos parasitas da sacristia.

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Proibida pela Cúria de Palermo vigília pelas vítimas da homofobia 

A vigília havia sido agendada para 12 de maio na freguesia de Santa Lúcia, como parte das comemorações do Palermo Pride. O arcebispo da cidade exigiu o cancelamento da vigília, e justificou, dizendo: " Fomos inspirados pela carta 86, assinada por Joseph Ratzinger" 

MARCO DE PÁSCOA 

Vietata dalla Curia di Palermo la veglia per le vittime dell'omofobia

O cartaz anunciando a vigília 




A Cúria de Palermo proibiu uma vigília de oração pelas vítimas da homofobia, agendada para 12 de maio na freguesia de Santa Lúcia. O evento foi organizado por "Ali D'Aquila", um grupo de cristãos gays e lésbicas, durante as celebrações para o Palermo Pride 1, e que contava com o apoio do pároco, padre Luigi Consonni. O religioso, um missionário comboniano, no entanto, veio a público explicar que o arcebispo de Palermo, Paolo Romeo, e Bispo Auxiliar Cuttitta Carmelo, ordenou a retirada da autorização para a utilização das instalações da paróquia. A proibição foi inspirada nos princípios contidos na Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre o cuidado pastoral das pessoas homossexuais, de 01 de outubro de 1986, assinada pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, e que prevê "cuidado pastoral" de homossexuais, com a ‘assistência’ de médicos e psicólogos. 


A foto do anúncio da proibição no site da paróquia 2 

A vigília, que comemora a vítimas de homofobia na Itália e em todo o mundo, não é o primeiro de seu tipo em Palermo: houve pelo menos mais quatro desde 2007. A novidade, em comparação com outros anos é que a de 12 de maio havia sido incluída no calendário de eventos relacionados à Parada do Orgulho de Palermo, evento organizado para defender os direitos da população LGBT, que culminará com o desfile pelas ruas do centro histórico no dia 21 de Maio.  Além do grupo de gays cristãos Ali D'Aquila, o culto foi também organizado pela comunidade de São Francesco Saverio all'Albergheria, da Igreja Valdense de La Spezia, e da Igreja Evangélica Luterana. 

"A igreja nos deu as instalações - explicam os organizadores de Ali D'Aquila, um grupo nascido em 2009 - e, francamente, estamos tristes e revoltados com esse veto, que foi comunicado a nós por Dom Luigi Consonni, por causa do arcebispo. Queremos recordar aqueles que sofrem por causa do preconceito homofóbico ". Don Luigi Consonni, que chegou na igreja de Santa Lúcia, em setembro do ano passado, informou sua congregação da proibição através da publicação de uma breve nota no site da paróquia: "A Cúria de Palermo, tomou conhecimento da iniciativa, e eu fui instado a respeitar plenamente as regras da Santa Sé, n º 17 do documento Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre o cuidado pastoral das pessoas homossexuais, 1/10/1986. Então me pediram para cancelar a reunião de oração prevista para dia 12 na freguesia de Santa Lúcia. 

O documento ao qual apela a Cúria de Palermo diz que para gays devem receber assistência médica e psicológica. O mesmo sendo exigido pelo então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Joseph Ratzinger. Além disso, mesmo em outras localidades – como na Organização das Nações Unidas - o Vaticano tem se destacado por não querer votar a favor da descriminalização do crime de homossexualidade. Além disso, o arcebispo Silvano Tomasi, representante da Santa Sé na ONU, manifestou-se recentemente contra a "vitimização" dos homossexuais, em defesa do direito de "criticar uniões entre pessoas do mesmo sexo." 

Paolo Conca, deputada lésbica do Partido Democrata, por sua vez, quer encontrar-se com o arcebispo de Palermo: "O seu gesto é tão ruim e desumano com esta ofensiva proibição de muitos católicos que são homossexuais que eu quero conhecê-lo e  quero que ele explique, olhando nos meus olhos, porque quer proibir uma vigília, cujo objetivo é, entre outras coisas, lembrar aqueles que morreram por causa da homofobia. Eu não quero acreditar que a hierarquia da Igreja tem sido reduzida a isso. Por que você não prega a verdadeira mensagem de Jesus e do Evangelho? ". 

Duro também o comentário da Arcigay, que, naturalmente, tinha promovido e apoiado este momento de oração. "Estamos chocados e entristecidos. Por que querem vetar um evento que só quer rememorar o sofrimento das vítimas inocentes? As mesmas fraquezas que o Cardeal e a Igreja dizem que juraram defender, sem distinção. A proibição também é um ato de agressão, em sua cumplicidade com aqueles que espalham o ódio e a homofobia ", diz Daniela Tomassino Arcigay presidente e porta-voz do Palermo Pride."Proibir uma oração para as vítimas da homofobia é o último dos insultos que a hierarquia pratica contra gays, lésbicas e trans italianos, ataca Paolo Patane, presidente nacional da Arcigay, que diz: “Com esse ato, a Igreja quer silenciar as vítimas de um show de horrores diários. Mais uma vez, fazem-se cúmplices e um dos principais patrocinadores da aversão à dignidade de milhões de pessoas. " 

O Grupo Ali D'Aquila, no entanto, decidiu que, de acordo com os outros movimentos que aderiram à iniciativa, serão realizadas vigílias, presumivelmente, em frente à igreja, às 21h do mesmo dia: "Vamos continuar a rezar, mesmo diante de portas  fechadas. "

Comentários

  1. Mais absurdo é o grupo de gays e lésbicas acharem que uma igreja que já oprime as mulheres heterosexuais, não permite que freiras façam a consagração da eucaristia, não permitem que assumam cargos de bispado e papado, vão dar ouvidos aos seus clamores. Seria muito mais fácil, ou procurarem novas formas de religiosidade menos intolerantes, criarem suas próprias ou procurarem saber mais sobre as origens do cristianismo para não ficarem reféns dessa cilada histórica e se libertarem dessas superstições que são o principal instrumento de opressão da humanidade, será que não conseguem perceber isso ? É o tal de socar ponta de faca, ou procurar chifre em cabeça de cavalo.

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  2. Perfeito, Nivaldo!!! Concordo contigo em gênero, número e grau!

    Obrigado pelo comentário lúcido e brilhante!

    Abraço,
    Sergio Viula

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