Orgulho Gay de Moscou termina com dezenas de detidos


28/05/2011 - 14:40 | Sandro Fernandes | Moscou



Sandro Fernandes/Opera Mundi



A VI Parada Ilegal do Orgulho Gay de Moscou terminou com 40 presos nos enfrentamentos entre defensores dos direitos dos homossexuais, grupos neonazistas e policiais. Desde 2006, o grupo GayRussia tenta organizar legalmente uma passeata na capital russa, mas a Prefeitura de Moscou nunca autorizou o evento, alegando que a manifestação “alteraria a ordem pública, pondo em risco a vida de inúmeras pessoas”. 


Apesar da proibição, aproximadamente 15 ativistas, metade deles estrangeiros, se reuniram nos Jardins de Alexandre, ao lado do Kremlin, para depositar flores no Túmulo do Soldado Desconhecido. 


Por volta das 13h, três ativistas gays – um homem e duas mulheres – abriram uma bandeira arco-íris no centro da plaça Manezh e gritaram “Rússia sem homofobia”. O gesto foi suficiente para causar a ira dos grupos extremistas homofóbicos. Os três jovens foram imediatamente atacados pelos skinheads e, logo em seguida, presos pela polícia moscovita.


Dezenas de pessoas contrárias à Parada Gay foram ao centro da capital impedir qualquer manifestação de ativistas homossexuais. Quase todos os jovens, entre 13 e 20 anos, vestindo camisetas que diziam “Somos russos” e “Orgulho Eslavo”. Declaravam abertamente a televisões de todo o mundo o ódio aos “gomiki”, como são chamados de maneira vulgar os homossexuais. “Sodoma” e “Pederastas” foram outras provocações ouvidas nas ruas do centro de Moscou. 


Sandro Fernandes/Opera Mundi


Com seus telefones celulares, falavam com amigos e familiares. “Estamos na Parada Gay. A Polícia já prendeu alguns pederastas (sic)”, dizia um adolescente entre gargalhadas. Alguns jovens preferiram cobrir a cabeça com máscaras semelhantes às do movimento de extrema-direita norte-americano Ku Klux Klan. A saudação nazista também foi vista algumas vezes. 


Os atos duraram pouco mais de 20 minutos, mas tiveram continuidade em frente à Prefeitura de Moscou, na rua Tverskaya. Uma ativista dos direitos gays for interrompida por um grupo de skinheads enquanto dava uma entrevista para jornalistas. 


Entre insultos e empurrões, forças policiais chegaram para prender a jovem ativista. Skinheads e pessoas que passavam pelo local, aplaudiram a ação policial. Um dos policiais anti-distúrbios chegou a parabenizar, com um aperto de mão, a um dos neonazistas, diante dos olhos atônitos de turistas e jornalistas. Estima-se que o número de skinheads na Rússia chegue a 100 mil. 


Ironicamente, a Prefeitura de Moscou está situada na rua Tverskaya, considerada pela comunidade homossexual como a rua gay da capital russa, devido a um aparente ambiente de menos hostilidade às minorias sexuais. 


Fiéis e religiosos da Igreja Ortodoxa Russa também marcaram presença na manifestação. Com cruzes e imagens de santos, criticavam a prática homossexual e “rezavam pelos pecadores”. 


Sandro Fernandes/Opera Mundi


Uma jornalista do diário Novaya Gazeta, Elena Kostyuchenko, foi agredida por um ativista contrário à Parada Gay e foi hospitalizada com feridas e hematomas. 


Um jovem de 18 anos foi espancado por seis neonazistas numa praça do cêntrico bairro de Kitay Gorod esta tarde, mas nenhum agressor foi encontrado. As autoridades reforçaram as medidas de segurança em todo o centro de Moscou, prevendo incidentes violentos. 


“Ao invés de celebrar a diversidade, a capital russa comemorou uma vez mais, e com respaldo oficial, a intolerância e o desrespeito aos direitos humanos”, declarou um jovem russo que preferiu não se identificar. 


A participação em manifestações não-autorizadas pode ser punida com até 15 dias de prisão. Em outubro do ano passado, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos multou a Federação Russa em 29.510 euros (67 mil reais) devido à proibição da realização da Parada Gay em Moscou.


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COMENTÁRIO DESTE BLOGUEIRO

E depois tem gente (com preguiça mental ou má-fé) me dizendo que os gays se fazem de coitadinhos para conquistarem privilégios. Minha gente, o direito de ser você mesmo e reunir-se com seus semelhantes é porventura algo para além do que todo mundo deseja?

A quem ofende a liberdade para se manifestar pacificamente, senão apenas aos fundamentalistas e aos indiferentes que acreditam que seus próprios direito garantidos não são suficientes, enquanto não destruírem os dos outros?

Os neonazistas baixando o cacete sob as bênçãos da Igreja Ortodoxa é uma cena deplorável. Por que esses beatos fanáticos, em vez de orar pela pacificação dos agressores, criticava os homossexuais, alimentando ainda mais a mentalidade adoecida desses homofóbicos com a ideia de que deus está do lado deles?

A prefeitura de Moscou já havia sinalizado com a permissão para a parada gay há pouco tempo. Cheguei até a dar essa notícia aqui. Por que será que recuou da decisão? Medo da Igreja Ortodoxa?
 A Igreja Ortodoxa na Rússia se sente dona da situação, mais ou menos como a católica aqui.

Chega de privar o cidadão LGBT do direito de existir tal como ele(a) é! LGBTs do mundo inteiro e simpatizantes, manifestem-se contra esse desrespeito ao ser humano!!!

Comece tuitando esse post. Vamos convidar as pessoas a pensarem se é esse tipo de sociedade que elas desejam. Tudo o que os LGBTs estão promovendo é o mesmo que todo mundo deseja: Direitos iguais - nem mais nem menos!

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