Grupo Gay de Maceió esclarece a agressão contra um adolescente na escola

Adolescente agredido em escola de AL revela ter sido vítima de homofobia





O adolescente que foi agredido por um colega de classe e cujo ato violento foi gravado e postado na Internet, afirmou em entrevista à TV Pajuçara, nesta terça-feira (29), que foi vítima de homofobia. De acordo com ele, que estuda na Escola Estadual Gentil de Albuquerque Malta, em Mata Grande, o autor da agressão teria ficado furioso, depois que colegas propagaram que ambos manteriam uma relação homoafetiva.

Assustado e afirmando estar cansado de lutar contra o preconceito, o adolescente de 14 anos diz que tem medo de sofrer novas agressões. “Saíram comentando que eu tinha saído com ele [o agressor]. Ele se sentiu humilhado e me agrediu. Por isso, estou com medo”, relatou, sem ter a sua imagem e identidade reveladas.


Antes de sofrer a agressão, a vítima afirmou que teria procurado o diretor da unidade escolar, José Timóteo, solicitando mudar de turno, já que as agressões verbais teriam se iniciado na sala de aula. “Antes disso [da agressão] acontecer procurei o diretor e pedi para mudar de turno, mas ele disse que só no próximo semestre", contou.

Procurado, o diretor justificou sua negativa ao aluno, afirmando que a mudança de turno esvaziaria a turma e a tornaria inviável. Questionado sobre o fato de ninguém ter impedido a agressão, José Timóteo alegou que o incidente não teria ocorrido na presença de funcionários da escola.

“Mas os alunos foram suspensos, depois que a agressão foi divulgada na Internet e chegou ao conhecimento do Conselho Tutelar, que nos procurou para adotar as medidas cabíveis”, disse ele. Ainda sobre o fato, um comunicado está afixado na porta de entrada da Escola Estadual Gentil de Albuquerque Malta, em Mata Grande.

Segundo a conselheira tutelar do município, Roberta Alencar, a direção da escola teria sido negligente. “Primeiro porque não atendeu ao pedido da vítima, para mudar de turno, além de não ter interrompido a agressão, que foi gravada e parou na Internet”, frisou.

Para coibir novos atos de violência, policiais realizaram uma vistoria no interior da Escola Estadual Gentil de Albuquerque Malta. Eles apreenderam estiletes e objetos perfuro-cortantes, segundo o diretor da unidade de ensino.

A mãe do adolescente agredido, Damiana da Graça, não prestou denúncia contra o agressor do filho. “Quero apenas que tomem alguma providência para que isso não volte a acontecer. Fiquei muito desesperada quando soube da agressão”, disse.

--------------------------------------------------

COMENTÁRIO DESTE BLOGUEIRO

Essa mãe deveria ter registrado queixa contra o agressor do filho. Suspensão foi pouco. Esse cara vai voltar a estudar na mesma escola que o filho dela. Será que finalmente o agredido vai ser, ao menos, transferido de turno? Quem garante que o agressor não vai "envenenar" outros colegas contra o menino? Para casos como esse, a punição tem que ser exemplar. Só assim, os agressores entenderão que violar a dignidade de alguém, inclusive dos homossexuais, é violar a si mesmo.

Ah, e quem inventou a calúnia para ver o "circo pegar fogo" também não pode passar impune. Para isso também existem procedimentos administrativos escolares e procedimentos legais.

Comentários

  1. Repugnante caso de omissão em toda a escala, tanto dos responsáveis (diria antes irresponsáveis) escolares como da própria mãe do menino (com uma mãe assim quem precisa de inimigos ou mesmo amigos cínicos?). Ela deveria ser a primeira a exigir uma intervenção enérgica e justa de todas as entidades responsáveis pela defesa do cidadão. Se uma mãe não clama por protecção para o seu filho... ou será que ela é tão homófoba como o agressor e até achou bem o espancamento?

    Será que ninguém reparou que a agressão foi planeada ao pouco de ter cobertura de imagem? O cúmplice que gravou a cena em vídeo é também agressor pois sabia do que iria ocorrer e participou entusiasticamente do caso. Esta cambada começa de novos e se não forem expeditamente corrigidos depressa irão contribuir para os elevados índices de criminalidade e intolerância.

    Aquilo passou-se numa escola!!! Se os responsáveis escolares não actuarem com zelo e eficiência, afinal que serviço estarão eles prestando? Se eles não educam os jovens que recebem diariamente para esse fim, quem o fará? Já vimos que a família os enviou para a escola sem uma boa formação moral de base, então que a escola cumpra o seu papel de educador social.

    Vou-me calar, pois isto é para ser um comentário e não um sermão. rsrsrs

    Beijos, amigo Sergio

    ResponderExcluir
  2. Obrigado pelo comentário carregado de emoção e racionalidade!!! Compartilho da tua indignação, amigo.

    Beijo, querido.
    Sergio Viula

    ResponderExcluir
  3. É realmente muito triste saber que esse tipo de brutalidade ainda ocorre em nossas escolas...
    Aqui está o blog da escola vamos reclamar
    http://gentilmalta.blogspot.com/2010/08/senad-promove-curso-de-prevencao-ao-uso.html#comment-form
    Talvez pelo menos a nós alguém ira ouvir.

    ResponderExcluir
  4. Faz tempo que não deixo comentários, mas sempre venho aqui para me informar.

    Moro em Pernambuco, e estou com medo, esse menino pode vim a ser morto, a fama de Alagoas não é das melhores, em se tratando de homofobia. Esse caso só veio a publico por conta da postagem do youtube, os garotos que postaram sabiam que nada iam acontecer com eles, por isso não tiveram medo.

    Beijos, amigo
    http://repareavalie.wordpress.com/

    ResponderExcluir
  5. Ponta-aponta e Luciana,

    Obrigado pelos comentários. Valorizo cada um.

    Beijo grande,
    Sergio Viula

    ResponderExcluir
  6. Revoltante a covardia desse garoto agredindo o outro por supostamente ser gay. Fica claro que a escola patrocina esse tipo de comportamento homofóbico entre os alunos. O agressor se julga superior porque é hétero (?) e o agredido em momento nenhum esboça nenhum tipo de reação. Conheço muito bem esse tipo de covardia, porque fui vítima de todo tipo de pervesidades durante a minha infância e adolescencia, só que isso deu-se em outros tempos, onde não se questionava a homossexualidade e vc não tinha a menor chance de revidar ou contar com a aprovação dos responsáveis pelo colégio. Hoje as coisas mudaram um "pouquinho", mas fico revoltado em assistir uma cena como essa em pleno século XXI.

    ResponderExcluir
  7. Querido Guimas,

    É o mesmo sentimento que tive ao ver essa deplorável cena e pelos mesmos motivos.

    Saudade dos teus comentários.

    Beijo,
    Sergio Viula

    ResponderExcluir
  8. óla amig@s não é virus

    QUERO DEIXA AQUI A DISPOSIÇÃO DE VOCÊS OS SITE DO GRUPO GAY DE MACEIÓ, http://grupogaydemaceio.webnode.com.br/ entre e confira oq ue acontece no mundo LGBT.

    TAMBÉM TEM NOSSO BLOG SIGA.....



    http://grupogaydemaceio.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  9. Obrigado pelo convite. Já visitei, sim.

    Abraço grande,
    Sergio Viula

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Deixe suas impressões sobre este post aqui. Fique à vontade para dizer o que pensar. Todos os comentários serão lidos, respondidos e publicados, exceto quando estimularem preconceito ou fizerem pouco caso do sofrimento humano.