Campo Grande (MS): rapaz é vítima de homofobia


Rapaz sofre agressão motivada por homofobia no centro da Capital

Agressores zombavam do rapaz enquanto desferiam socos e chutes



Paula Maciulevicius e Paulo Fernandes

Um rapaz de 21 anos, estudante de Artes Visuais, foi espancado na madrugada desta sexta-feira (15), na região central de Campo Grande. O motivo da agressão: homofobia, ou seja, aversão a homossexuais. A vítima pediu para ter o nome preservado, com medo de sofrer retaliações.

Ele estava na companhia de um amigo, sentado na Rua Boa Vista, esquina com a Bahia, depois de ter saído de uma casa noturna próxima. Um carro com quatro jovens passou e um deles gritou: “veado”.

Logo em seguida, dois jovens desceram do veículo e correram em direção às vítimas. Segundo o estudante, ele pensou que se tratava de um assalto e gritou para o amigo correr porque eles seriam roubados. O jovem desceu pela Rua Bahia, e virou à direita na Avenida Fernando Corrêa da Costa, enquanto o amigo continuou pela Rua Bahia mesmo.

O estudante correu pela avenida, seguido pelos agressores até cair no chão, quando começaram os chutes e socos. Ele tentava cobrir o rosto e dizia para que parassem com a violência.

De acordo com a vítima, os dois autores zombavam dele durante as agressões. “É muito massa fazer isso gente”, afirmou um deles. Os agressores estavam bem vestidos, aparentemente sóbrios e pareciam ser de classe média alta.

Depois de darem uma pausa, eles entraram novamente no carro e saíram pela redondeza procurando o outro jovem.

O rapaz conta que não sabia o que fazer, tentou pedir ajuda, mas não encontrou ninguém pelas ruas. Momentos depois, os agressores voltaram e um terceiro se juntou ao grupo. Segundo ele, tudo foi muito rápido.

“Eu não agüentava mais correr, e eles vinham de novo. Eu pensei em pular dentro do córrego para fugir”, conta.

As agressões começaram novamente, e o jovem repetia que não aguentava mais apanhar.

“Eu não sei como eles aguentavam, davam risadas enquanto eu chorava”

“Eles riam da situação e eu já estava sangrando, chorando. Tinha um sem camisa que veio e falou: ‘você vai apanhar mais’. Eu não sei como eles aguentavam, davam risadas enquanto eu chorava”, relembra.

As marcas de agressão no rosto do estudante revelam a brutalidade da violência “gratuita”. Segundo relato da vítima, os agressores saíram em busca de alguém em quem pudessem bater. Ele diz que nunca apanhou tanto e a “preferência” dos autores era pela cabeça, e barriga do rapaz.



O jovem foi socorrido por outros rapazes, que estavam passando de carro. “Eu pedi ajuda, expliquei o que tinha acontecido e eles queriam procurar pelo grupo para tirar a história a limpo”.

Ele conta que passou de carro pelo local onde apanhou e viu que o veículo dos autores passava por ali novamente. “Se eu não tivesse tido ajuda, eu ia apanhar mais ainda”, diz.

Abalado, ele foi deixado pelos rapazes próximo ao Terminal Morenão, onde fez contato com o irmão, que veio socorrê-lo.

Os familiares ficaram em choque. O irmão da vítima, disse que só pensava se as agressões teriam sido com barras de ferro, pedaços de madeira.

O jovem registrou boletim de ocorrência apenas na noite de ontem. “Tenho medo da polícia não se meter nisso, porque os rapazes parecem ser filhinhos de papai”, afirma. “Foi horrível e eu não quero ficar lembrando. A cabeça dói, as costas, eu achei que tinha quebrado tudo. Meus dentes estão moles de tanto apanhar”.

Comentários

  1. Não só lamentável mas altamente condenável! Inadmissível em sociedades que se pretendem evoluídas e civilizadas.

    Beijos, amigo

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  2. Na semana passada, um rapaz apanhou em Campo Grande. Apanhou muito, de maneira covarde e impiedosa por uma única razão: ele é homossexual. Um grupo de homens - os quais eu só chamo de homens por falta de um nome melhor, pois me recuso a crer que pertencemos à mesma espécie - o viu andando na rua e se aproveitou da falta de testemunhas para espancá-lo em meio a risos. Eram quase adolescentes, dentro de um carro caro e usando roupas caras por sobre sua carcaça nojenta.

    Corta a cena. Passemos agora para mesas de bar onde contamos piadas e ridicularizamos homossexuais. Passemos agora para um jogo de voley ou de futebol onde primatas estravazam suas frustrações xingando jogadores gays aproveitando-se do anonimato da multidão. Passemos para uma festa de família onde, às portas fechadas e sem a "chatice" do politicamente correto, pode se deixar claro entre seus iguais na ignorância o que realmente se pensa: que homossexualismo é doença, e que viado tem mais é que se f*.

    Talvez você pense, "mas o que uma coisa tem a ver com a outra? Ora, falar é uma coisa inocente, espancar é um crime!" Mas eu sou capaz de apostar que os pais dos animais espancadores de Campo Grande podem até não sair pela rua batendo em gays, mas nunca esconderam no ambiente familiar a raiva que sentem dessas "aberrações". Sou capaz de apostar: a maioria dos amigos desses monstros não apoiaria o espancamento, mas morre de rir com gozações sobre bichinhas.

    Acredito que somos frutos não só de nossa índole genética, mas também do ambiente em que vivemos. Nossa sociedade é SIM preconceituosa. Tacitamente, à boca miúda, mas é. E esses rapazes-excremento que saem na rua para fazer sua justiça são nada mais do que a expressão máxima desse preconceito, são o câncer, a úlcera que torna física as tensões.

    Isso não redime de forma alguma esses criminosos. Mas por outro lado, também não redime qualquer atitude preconceituosa apenas por não chegar às vias de fato. Os espancadores merecem cadeia. Os preconceituosos merecem luz sobre suas vidas pequenas que consistem em ficar se preocupando com o que os outros fazem entre 4 paredes. E nós, seres humanos, independentemente de nossas preferências sexuais, TODOS MERECEMOS RESPEITO.

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  3. Priscilla, parabéns pelo comentário brilhante! Um dos melhores que já recebi por aqui!

    Abraço grande, querida.
    Sergio Viula

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